quarta-feira, 4 de março de 2009

Resiliência: mas o que seria isso?

As portas desse banheiro não são trancadas. Meu namorado está passando uns tempos na Alemanha, estudando e me pediu para publicar esse texto que ele fez. Será dividido em duas partes. Agora, a primeira.

Vamos supor que você viva uma vida estável, com rotinas saudáveis que, por muitas vezes, lhe proporcione felicidade, só por estar fazendo-as, com pessoas queridas lhe cercando.

Por muitas vezes nos deparamos com a felicidade sem ao menos notarmos. Ela está a toda hora se revelando e a gente nem percebe, porque sempre queremos mais, sempre buscamos maiores objetivos, passo essencial da natureza humana. Quando penso em tudo isso eu reflito sobre a minha real situação: o que será que eu quero da minha vida?

Será que eu quero ser realmente um grande administrador? Será que vale o sacrifício de ficar longe da minha família querida e do meu amor para conciliar ou para alcançar um objetivo próprio? Será que vale realmente a pena arriscar o status quo para que eu possa supostamente buscar uma vida melhor para mim e consequentemente para com os meus próximos?

Quando optei por fazer este intercâmbio eu nunca pensei nisso, nunca pensei que isso fosse pesar tanto na minha consciência, na minha visão de futuro. Eu sou apenas um jovem de 22 anos e não "deveria" me preocupar com construir uma família tão cedo, pensar em ser um profissional respeitável. Mas as coisas não funcionam dessa maneira. Pelo menos não comigo...

Nesses seis meses que passo na Alemanha eu avalio da seguinte forma: EU SINTO MUITA FALTA DE TUDO E DE TODOS QUE ME CERCAM! Eu fico muito, mas muito deprimido quando eu penso na vida "legal" (e legal sem aspas também) que tinha e comparo com a vida que tenho hoje num país estrangeiro. Tamanha é a ignorância da pessoa que pensa: poxa, ele está vivendo na Europa, deve estar aproveitando tudo, deve estar indo para Paris, para Barcelona, para Roma, para Londres. Com isso eu não quero dizer que seja ruim fazer turismo nestas cidades, eu apenas digo que uma coisa é você vir a Europa especificamente para fazer turismo, outra é você vir para Europa para fazer turismo e estudar ao mesmo tempo, e, ainda, outra coisa é você vir para Europa, ainda com fortes laços com seu país natal (como um noivado ou um compromisso forte) para estudar e para MORAR sem pensar em viajar - o que é completamente, mas completamente mesmo, diferente - acho que estou entre estes dois últimos, mais inclinado para o último, pois o meu caso é bem específico.

Sempre fui uma pessoa extremamente ligada à minha família. Todos que me conhecem a fundo sabem o quanto sou ligado, principalmente, ao meu pai e quanto foi doloroso para mim a separação e, consequentemente o divórcio dos meu pais. Eu, naquela idade, nunca imaginaria como uma família tão estruturada e sólida como a minha, com histórias para dar e vender, com músicas no background (como no dia em que meu pai escutava Oingo Boingo - Stay ou Scorpions - Still loving you - no nosso Escort XR3 com teto solar, e a gente saia pela praia para dar um passeio, para se divertir como família, num dos únicos dias em que ele, como sendo gerente geral de uma grande loja de departamento, tinha direito de desfrutar, entre os únicos dos poucos 4 ou 5 dias de "folga" no ano inteiro, saia...), ou quando acordávamos de madrugada para todos irmos pescar, ou ainda uma simples volta na beira-mar de Fortaleza para comer uma batata-frita e tomar uma cervejinha (como isso era raro e gostoso). Eu tenho a memória viva na minha cabeça como se fosse hoje. Tanta saudade que eu tenho da família implacável, a que eu nunca pensei na minha infância que fosse se dissolver, que fosse sofrer algum abalo. NOSSA FAMÍLIA TINHA MUITO AMOR EM SÍ!


Continua...

0 comentários: